16/03/09

“Regras Oficiais de Basquetebol 2009”, segundo Guerreiro e Bartolomeu

O jogo das Cadetes da SIMECQ, em casa do Farense, tinha tudo para ser um bom espectáculo: uma equipa motivada, unida (e bem disposta), pronta a mostrar a qualidade do seu basquetebol. As nossas SIMECQuinhas conseguiram pôr em campo algumas das suas técnicas e todo o seu empenho, espírito de sacrifício e determinação. Estão de parabéns pelo grande jogo que fizeram!!

Infelizmente, dois árbitros regionais conseguiram ser os protagonistas, brindando-nos com uma nova versão (inteirinha) do livro das “Regras Oficiais de Basquetebol”. Houve alturas em que a dualidade de critérios foi tão evidente, que mais parecia que estavam a guiar-se por dois livros de regras distintos, um para cada equipa. Aqui vão alguns exemplos:


Regras Oficiais de Basquetebol 2008
Art. 38.3.1 Falta técnica
Uma falta técnica poderá ser sancionada contra um jogador por rotação excessiva dos seus cotovelos (sem que ocorra contacto).

Revisão (Guerreiro e Bartolomeu, Faro 2009)

“É permitido usar os cotovelos e os braços, desde que seja para garantir que o defesa mais próximo recebe uma massagem vigorosa na cara, no pescoço ou no peito.”
(O treinador do Farense, fervoroso adepto desta interpretação, chamava-lhe carinhosamente “body check”)

(…)
Regra nº 15
“A latitude pode influenciar o discernimento das equipas: a equipa de arbitragem deve ter esse factor em conta na marcação de falta, em particular as faltas técnicas, e proceder aos ajustamentos que se afigurarem necessários.”(…)

Agora, vejamos como podem ser aplicadas num jogo.

A passividade perante o uso ilegal dos cotovelos, do início ao fim do jogo, provocou algumas supresas, no mínimo. Descobrimos que, no Farense, o “body-check” consiste em usar os cotovelos e os braços para garantir que o defesa mais próximo recebe uma massagem vigorosa na cara, no peito, no pescoço… Graças a isso, a nossa Ticha veio para casa bem “massajada”: até ganhou uns adesivos na cara e tudo, para fechar o golpe resultante de uma cotovelada. Mas disso falaremos adiante.

A atitude para com as equipas técnicas foi, também, muito desigual: para o nosso banco, havia advertências “simpáticas”, traduzidas em duas faltas técnicas e um desconto de tempo não anotado, sem dar sequer explicações de algumas decisões tomadas; do lado do Farense, podia haver conversas com o treinador dentro das quatro linhas.

Na nossa equipa, que procura formar pessoas e, depois disso, também jogadoras, o que a tem tornado conhecida também pelo seu fair-play, duas atletas foram punidas com falta técnica (no caso da Ritinha, por soltar um “Ai!!” depois ter sido empurrada na frente do árbitro). Mas aguentaram empurrões, cotoveladas e outros “brindes” não sancionados pela dupla de arbitragem. Do lado do Farense, não só podiam fazer as faltas, como ainda podiam reclamar com os árbitros quando estes marcavam alguma delas, sem que isso se traduzisse em qualquer reprimenda adicional.

Voltando à Ticha… A 1:37 do final do jogo, num ressalto junto ao nosso cesto, ganho pela Pipa, a Ticha, que estava do lado contrário àquele onde a bola caíu, sai agarrada à cara, com o sangue a correr de um corte por baixo do olho. Confusão generalizada no nosso banco (a jogada foi mesmo ali à frente), para tentar ver o que se passava com a jogadora e para perceber o que tinha acontecido.
De acordo com o árbitro, foi a Pipa que empurrou uma jogadora do Farense, a qual por sua vez deu a cotovelada à Ticha. Ora, se a Pipa estava afastada da Ticha, como é que conseguia empurrar uma jogadora que, azar dos azares, se desequilibrou de tal forma que foi acertar em cheio com o cotovelo na cara da Ticha? E, se assim foi, porque é que não marcou falta à Pipa?? Estava já demasiado ocupado a dar uma falta técnica ao Sérgio, nosso seccionista, por este lhe ter dito que o golpe a sangrar na cara da Ticha tinha sido feito por um cotovelo?? Ou será que esta falta técnica foi porque o Sérgio se ia sentar prontamente, assim que o árbitro o avisou que ele não podia estar ali??

Para terminar em beleza um jogo que, mesmo com todas estas “ajudinhas” da arbitragem, estávamos a ganhar por dois pontos, quando soou o apito final conseguiram transformar um lançamento de dois pontos num de três. Graças a isso, nem sequer tivemos direito a prolongamento, e viemos embora com um saldo negativo de um ponto. Como os árbitros não se dignaram sequer cumprimentar as equipas no final do jogo (mas ainda tiveram um “tempinho” para continuar a provocar a treinadora), resta-nos especular!! Ora vamos lá a isso:

  • Apitar um jogo às 12h00 em Faro, com inúmeras interrupções (graças sobretudo à “brilhante” actuação da dupla de arbitragem), pode tornar complicado estar às 15h00 em Olhão, para apitar o jogo contra o Montijo. Um prolongamento podia estragar o almoço, que já ia ser a correr (e, pelos vistos, estava já de antemão programado para o McDonald’s).
  • Outra razão pode ter sido considerar que, quando uma jogadora tem um pé dentro e outro fora da área de dois pontos, conta só o pé que está fora.


Valha-nos que o jogo foi filmado, como o treinador do Farense confirmou no final. Esperamos que nos dêem acesso ao filme, conforme mandam as boas regras do basquetebol, mesmo sem termos de protestar o jogo, conforme nos disseram no final desta partida atribulada. O facto de o treinador ter dado o dito por não dito e de a dona da câmara a ter arrumado rapidamente e desaparecido ainda mais depressa, não devem ter passado de episódios provocados pelo atraso do almoço de domingo.

No final e já no corredor de acesso ao balneário, o árbitro Carlos Guerreiro, com um pé já dentro do balneário ainda disse à treinadora que ia ficar com o seu cartão. Resposta da treinadora: “Desde que escreva só a verdade no relatório, pode ficar com o cartão à vontade”.

Ora, como a SIMECQ recebeu um Fax a dizer o seguinte: "Vimos por este meio informar que foi mandado arquivar por falta de matéria disciplinar, o processo sumário instaurado à vossa treinadora…", o relatório deve ter sido fiel ao que se passou em campo!

Quanto ao filme, vamos continuar à espera, apesar de não servir de meio de prova, pelo menos mostra a equipa que teve melhor desempenho.

Episódios tristes destes não dignificam o basquetebol e são um péssimo contributo para um dos principais objectivos do desporto nesta faixa etária: educar a próxima geração, transmitindo-lhe os valores que defendemos.
Valha-nos que, felizmente, continuam a ser excepções. Temos de admitir que o trabalho dos árbitros é difícil e que é mais do que normal haver alguns lapsos, como uma falta que não é assinalada ou uma bola que sai sem se saber quem foi a última pessoa a tocar-lhe. Afinal de contas, estão 10 atletas em campo, acompanhadas por apenas dois (ou três) árbitros, que têm de ver a bola, pés, mãos, tempos... Por isso, é de louvar também todo o esforço e dedicação que demonstram em campo: também eles são uma parte importante na formação das pessoas/atletas.


Por agora, resta-nos dar os parabéns às SIMECQuinhas e equipa técnica e desejar-lhes igual determinação e coragem para os jogos que aí vêm.

Vemo-nos por aí, a caminho da final. ;)

13 comentários:

Famse disse...

Ler este texto depois de assistir ontem ao jogo de juniores femininas Santarém x Simecq só me faz lamentar e concluir que a frase "Valha-nos que, felizmente, continuam a ser excepções" infelizmente parece que já não é bem assim! O que assitimos ontem em Santarém, talvez não tenha tido tanto "requinte de malvadez" como a situação em Faro, mas foi muito, muito mauzinho e a dualidade de critérios foi demasiado evidente! Neste caso, não está em questão o resultado, pois o Santarém foi um justo merecedor, mas o que se passou dentro de campo é lamentável! Enfim, manteremos acesa a esperança de que estes casos continuem a ser excepções.... Força para todos(as) os Simecquinhos(as), que me parece que andam a "incomodar" muita gente com a sua qualidade!

Anónimo disse...

Sou Pai de uma jogadora do Farense, e não pude estar presente no jogo, dado que estava no estrangeiro. O meu filho, no entanto filmou, como é habitual, e depois tive a oportunidade de finalmente ver o mesmo.

A Arbitragem não foi feliz, de facto não foi, mas assumir uma posição vitimizadora, sem fazer qualquer reflexão quer quanto aos erros em causa (não foram apenas faltas por marcar ao Farense, mas a ambas as equipas), quer sobretudo, no que diz respeito a actitudes e comportamentos, parece-me incorrecto.

Quando chego a casa, depois de um jogo, vejo-o com a minha filha, e juntos reflectimos sobre o que correu bem, mal, mas também sobre as arbitragens. Fazemo-lo como metodo de evolução, e penso que é correcto e necessário.

Quanto ao jogo em causa, tenho-o em casa, como já disse, e terei todo o prazer de o enviar, quando esta fase do campeonato acabar.

Para já penso que chega dizer, como já tive a oportunidade de o fazer, que o cesto final é limpo, e efectuado atrás da linha dos 3 pontos.

O Simecq tem uma boa equipa, mas deve também manter uma boa actitude, não apenas quando ganha, mas sobretudo quando as coisas não correm bem.

Desejo-vos um bom campeonato, e muitos sucessos, mas penso que não tem qualquer sentido fazer teorias de conspirações, nem sugestões macgastronómicas irónicas e infelizes. Toda a gente erra. Naquele dia, também os arbitros erraram, mas não foram só eles nem só para um dos lados.

Deixo aqui o meu contaccto para o caso de alguém querer entrr em contacto comigo.

joao.soeiro@mtsincoming.com

Quanto ao resto, bons jogos, moças, bom basket.

J

CAD disse...

sao sempre roubadas quando perdem???depois falam em fair-play e coisas do genero...vergonha...
O comentario pode nem ser aceite mas a minha liberdade de expressao permite me escrever o que penso e mesmo que apaguem ja o leram e ficaram com a ideia que nem sempre perder é igual a reclamar.

Obrigado e bons jogos...mas ate á final nao me parece

Coach Paula disse...

Se o último cesto é válido ou não, não sei. O que sei é que me foi negado um direito: o de ver a filmagem. Se foi legal, não percebo o porquê de tanto mistério com o filme. Quanto ao resto do jogo, foi uma vergonha, sim. Mas a única equipa que se portou mal foi a de arbitragem. Nunca me ouviram dizer antes que a minha equipa perdeu por causa da arbitragem, mas desta vez foi um bocado escandaloso. Quatro faltas técnicas num jogo de Cadetes parece-me um exagero. Houve dualidade de critérios, só quem não quer ver é que não concorda. Em relação ao comentário do Anónimo, só demonstra a falta de fairplay. Nota-se que não sabe do que está a falar, pois a Simecq é das equipas que mais amigos tem nas equipas adversárias. Apesar do péssimo comportamento dos árbitros, nenhuma das minhas atletas teve uma atitude menos digna.
Já perdemos várias vezes esta época e aceitamos as derrotas quando não fazemos o nosso melhor ou quando a equipa adversária se esforçou mais.
Se não estivermos na final, não será por falta de empenho. Para além disso, há coisas mais importantes que disputar finais: Formar atletas! E nisso a Simecq é dos melhores clubes.

Coach Paula disse...

Para que fique claro, quando me refiro ao "Anónimo", refiro-me evidentemente a quem assina como "CAD". O comentário do Sr. João Soeiro, pelo contrário, demonstrou bastante fairplay e acima de tudo formação desportiva, algo que infelizmente nem todos temos.
Terei todo o prazer de receber o filme que poderá ser-me entregue, ou em mão na 2ª volta, ou por correio, dirigido ao clube.
Obrigada pela sua opinião, por consultar o nosso blog e saudações desportivas.

Md'O disse...

O comentário do Sr. João Soeiro demonstrou o interesse de quem acompanha os jogos e procura fazer críticas construtivas: estas são sempre benvindas, pois são um óptimo contributo para melhorarmos o nosso trabalho. Por isso, agradecemo-las e encorajamo-las.

Quanto ao jogo, foi realmente uma pena que tivesse corrido assim.
Não gostei do resultado, mas não foi essa a razão para as críticas tecidas à arbitragem: quem tem acompanhado os resultados da SIMECQ, ouviu-nos sempre dizer que perdemos o jogo contra o Zona Alta por termos feito um jogo fraquinho, não por causa da arbitragem.

Continuação de bons jogos para todas as equipas. Que sirvam para as miúdas crescerem e melhorarem, como atletas e como pessoas.

Já agora: se puderem dar bons espectáculos de basket, o público agradece. :)

Marta ESSA disse...

É óbvio que a simecq merecia ter ganho o jogo. Apesar de não ter visto o jogo, pelo que me contarem (a gigi da simecq) foram muito roubadas, mas como o farense rouba sempre em casa, já era de esperar. O simecq para mim é a melhor equipa do campeonato, e é a equipa que merece ir à fase final. E em relação ao fair-play, acho que elas até o têm, secalhar só não o têm quando são roubadas à descarada, é óbvio que as pessoas ficam frustradas, mas como é óbvio a atitude dos árbitros foi muito melhor, em nem sequer ter cumprimentado o pessoal da simecq. Bem amanhã vou eu jogar contra o Farense, e espero que não aconteca o mesmo.
Parabéns pelo campeonato, e boa sorte :D

Anónimo disse...

eu acho que o jogo foi uma grande injustiça...

entao a acusação q nos fizeram quanto á lesão da ticha foi completamente idiota e desnecessária!

deviam ser banidos!

Anónimo disse...

ao senhor CAD so tenho a dizer que veja o resultado do jogo quando se realizar com arbitros "razoaveis" o que pelo menos cumpra as regras e tenham criterios esclarecedores e defenidos! ai talvez veremos a diferença

CAD disse...

esperarei por esse resultado com arbitros razoaveis como referencia o anonimo mas continuo a dizer que espero mais uma vitoria da minha regiao...posso dizer-vos que vi o jogo e acompanho a equipa das cadetes do farense e foi sem duvida o pior jogo delas nesta fase nacional.

Nao quero ofender ninguem pois o basket é festa e neste momento o farense faz a festa quer em casa quer fora de casa o que mostra que nao interessa os arbitros mas sim a vontade destas miudas para vencer os jogos.

Obrigado e desculpem qualquer coisa.

Anónimo disse...

bem... quando me lembro daquele dia nem tenho palavras... como é que uma jogadora iria empurrar a adversária para dar uma cotovelada na da sua própria equipa?? essa foi sem dúvida a maior injustiça... toda a gente sabe o que é uma equipa, o espirito de equipa na simecq é uma das coisas mais importantes... o sacrificio nunca é do outro, é sempre nosso. não se sacrificam assim os da nossa equipa... digam-me, o que é uma equipa?? pois claro, sabendo isso como é que alguém pode julgar assim que a pipa, que apenas tava a lutar pela bola, teria feito tal coisa?

bem... já vi os comentários e existe muitas diferenças entre eles que eu respeito... por isso também espero que todos os outros respeitem também da liberdade de expressão dos toda a gente quando usam a sua... como no caso do que fala de fair-play... temos sim, quer um bocadinho?
reclamar com as injustiças é um direito

com muito amor à camisola e com esperança que me venha a confiança, dentro das 4 linhas para contribuir para a minha equipa, como aquela que tenho que vamos chegar longe
Ana Coutinho

João leonardo disse...

Será k a classificação está bem?
O farense está em primeiro com 7-0?
Será k o farense só fez jogos em casa com os arbitros comprados?
estão a incomodar muita gente...

Coach Paula disse...

Parabéns Simecquinhas!
Estamos na final!